Espero sinceramente que gostem, estou aberto a criticas e correções.
\o/
Caçador Da Paixão - O mito do Outono
Howard estava com um de seus discípulos, Outunno, na orla da floresta, ensinando-lhe a arte da caça, mas o aprendiz esquecera as flechas em casa, nem sequer notara que o cervo apareceu.
-Esta a passar, viste?
-Nonde mestre? À sombra d’arvore?
-Qual outra conífera estas a ver?
-Arco sem flechas, que posso fazer?
-Põe-te logo a correr!
Outunno ainda era jovem, e disparou em direção à única sombra que viu embrenhando-se na mata. Carregava consigo apenas uma faca, imaginando o que poderia fazer se, por um milagre, alcançasse o cervo.
Andou ate que se perdeu entre sombras e arvores pútridas no fundo da floresta. Quando começou a ouvir risadas infantis, lúdicas, e acima de tudo, macabras.
“Ao capricho faérico não posso ceder, pois no selvagem venho a morrer. Aos olhos do mestre serei desperdício, e se morro sem ela o inferno é hospício” Pensou Outunno naquele abismo de medo. Mas não houve tempo para pensar alem, e uma ninfa lhe aparece em vestido de gala, seus olhos lembravam os da mãe lua, sua Deusa padroeira, mas esta era deveras maldita, pois o fez de coração valente e braços fracos.
-Como te chamas, ó jovem caçador?
-A ti não conto, madrinha da dor.
-Lhe mostro a saída, que o sol vai poer.
-E o que devo, em troca fazer?
-Contai-me teu nome, vamo-nos deitar
-Pareço-te louco? Queres me enganar!
-Há! Entendo! Tu és eunuco!
-Sou jovem sabido, ai tem trabuco!
-Sou como o macuco; Beleza viva, tão sozinha...
-A mim não enganas. Largai a ladainha!
Ela simplesmente sumiu nas sombras, deixando Outunno para trás tempo suficiente para ele decidir ir a seu encalço. Chegando as margens de um rio, onde ela se sentava, e a lua já caminhava pelo céu.
-Perdoa a impiedade, mas quero viver.
-Esta perdoado, que vamos fazer?
-Ouviste o que digo? E Madre me observa.
-Agarra-me na relva e te tiro do mato.
-O rio levar-me-á, salvo com muito recato.
Assim Outunno seguiu seu caminho às margens do rio, iluminado pela lua ate chegar a cidade, onde já queimava o sol apino.
Em casa, sua amada orgulhou-se de sua fidelidade, bem como o mestre Howard, também seus amigos. De fato, não era qualquer um que resistia aos encantos de uma ninfa. Menos Augusto, que discutia com o líder do clã:
-Ora, sodomiza-la eu ia, e boto-me a correr!
-Somente iria mais longe se perder.
-Chegaria no rio, e assim me salvar.
-A lembrança dela te faria adejar.
E no dia seguinte, Outunno perdeu sua amada, ela casou-se com um nobre de outras terras, algo quase que tão impossível para uma família de artesãos, que ele simplesmente se despediu dela solenemente, desejando felicidade.
-Sou agora o céu noturno onde não brilham estrelas, vazio nonde construirei meu asilo. Seja feliz! Alcance jubilo!
O tempo passou e seu coração foi curado. Mas quase chegando a temporada de caça, Howard notou que sei discípulo havia mudado. E no treino cervo quase passou desapercebido.
-Esta a passar, viste?
-Derramarei teu sangue à unha! A terra rubla será testemunha!
-Não corra tolo, hoje tem flechas!
-Mestre, minha fúria encontrou uma brecha!
Ele correu atrás do cervo, adentrou na floresta, e o impulso da sua ira lhe lançou sobre o lombo. Assim ele o enforcou, mas o cervo parecia que ira voltar a si, então com a faca arrancou-lhe as tripas. O sangue somente acrescentou lenha ao seu fogo, e com as mãos começou a limpar a carcaça das vísceras, e brincar com estas como se fossem escravos sob comando de um tirano. A ninfa apareceu.
-Pare já com esta brutalidade!
-Nunca! Assim esbanjo virilidade
-Parece-me louco infantil.
-Ao que devo contigo, ó dama vil?
-Nada, te vi passando, e vou-me ao rio.
-Esperai... vou contigo.
-Como? Não lhe sou perigo?
-Preciso de motivo para riso...
-Vamos então, e largai o juízo
Ao contrario do que pode parecer, eles apenas conversaram longas horas, e depois ela o ensinou o caminho de volta. Com a carne do cervo e a aprovação do mestre, Outunno agora poderia sair para caçar sozinho. Exímio predador, ele pegava a presa e ia conversar com a ninfa, todos os dias, mesmo que ele não tivesse que caçar.
Assim ele se apaixonou: ela tinha toda a perfeição que ele poderia querer... tão bela, tão carinhosa, tão inteligente e tão verdadeira, como ele poderia ter sido tão tolo ?
“Talvez ela seja uma filha da lua, uma graça para mim: Tão pura! Protótipo de anjo forjado de carne faérica... talvez...” E assim um sonoro ‘talvez’ ecoou por sua alma. Até que, na ultima noite da primavera, ele a beijou, e selou seu destino.
Nunca se deitou com ela, ele queria suas almas entrelaçadas, e não somente seu corpo - isso seria conseqüência, e quando voltou para a floresta na noite seguinte, não a viu. Nem no outro dia, e nem no próximo. No quarto dia, já em pleno verão, viu a silhueta dela no horizonte, com outro homem. Desespero.
Ele fugiu, decidido a nunca mais botar o pé naquela floresta maldita, ou pelo contrario, caçar cruelmente todas as suas criaturas e botar fogo no resto, só para ver as ninfas, fadas, e o que mais tivesse la ficaram sem casa e desoladas. Sulfúrico e queimando, cuspindo para fora do sol de verão, sua integridade fora queimada as cinzas.
No equinócio de primavera, ele entrou novamente na floresta, e encontrou a ninfa.
-Tu me amas?
-Não, não te amo
-Mas assim era.
-Não era, e não amo ninguém
-Mas a ti só farei bem! Tens outro amante, não tem?
-Já disse, não sois vos, somente ninguém
Ele pensou em falar do que viu, mas ela não sabia que ele sabia... ele preferiu calar-se.
-Que sejas feliz, em pranto me vou pra nunca voltar
-Esperai! Seja meu amigo, somos tão parecidos
-Ser amigo não é bastante, a mim seria humilhante.
-Ora, tu não eras o viril? Como se ilude tão infantil?
-Almejo teu amor tão terno... agora vou viver meu inferno.
-Fique, fique, não se vá só porque não te amo.
-Me vou, e que a lua me proteja do sofrimento profano.
Ele foi embora sem a luz da lua, nada ganharia ali. Passou a caçar em outros lugares, e nunca dividiu sua agonia com ninguém. Sua tristeza não era da conta de outrem.
Mas sempre que podia, antes da neve, ia a floresta e sentava-se nas margens do rio, onde destruía toda criatura que ali passasse, e manchava as folhas da arvores de sangue.Quando chegava o inverno, ele definhava um pouco mais em sua casa, e na primavera, avistava a ninfa ao longe na floresta, tentava falar com ela, mas sem resposta, a lamuria o fazia matar novamente as criaturas e espalhar seu sangue pelas arvores, que morriam antes do inverno. A lua já não brilhava sobre ele, ate que um dia, quando os anos já lhe dilaceraram o corpo, um sábio lhe falou de ninfas.
-Existem três tipos de ninfas. A maioria só quer sua carne, em ambos os sentidos; estas querem sua morte. Existem aquelas que se casam com homens, por vezes tem filhos; estas querem sua vida...
Ele fez uma pausa...
-E têm aquelas, as piores... Aquelas que lhe deixam vivo, mas livres para viver sua vida... Estas querem sua alma.
Outunno encarou a lua, que lhe tocava com seus raios pálidos e gélidos.
-Minh’alma se perdeu, quando outras a ninfa ganhou. Sem corpo talvez eu viva, mas sem amor... da felicidade a vida me priva...
-Como este amor ainda vos priva?
-Esse amor é lembrança, de sonhos sem fim, fé iterativa, que tenho em mim.
Quando Outunno morreu, tornou-se um fantasma na floresta, atormentado a sempre procurar a ninfa, que ele avista na primavera. Enchendo-se assim de tristeza, ele drena o sangue das criaturas e viajantes apaixonados perdidos na floresta, e lava a mata em tinta escarlate.
Quem sabe um dia, o caçador pegara sua presa? A terra rubla será testemunha; por isso a melhor estação de caça chamamos de outono, e não podemos caçar com paixão para não tornamo-nos presas de Outunno... que podemos ouvir chorando, quando as folhas morbidas caem.
Fim

Nenhum comentário:
Postar um comentário